A BBC encomendou mais uma leva de episódios da série, com o início das filmagens previsto para março de 2009.

Fonte: BBC

Sobre a série

27/12/2008

Acompanho Spooks (MI-5/Dupla Identidade) desde a 1ª temporada, depois de ler alguns comentários sobre ela no fórum oficial de 24 Horas. Alguns fãs acusavam os ingleses de copiar a série de Jack Bauer (pela temática anti-terror, a tela dividida etc.), mas a série da BBC saiu do papel antes, embora só tenha estreado fora do Reino Unido depois da estréia da série da Fox. As semelhanças entre as duas, entretanto, páram por aí.

A série britânica é centrada nos membros do MI5, ou “Cinco”, como é conhecida entre os agentes, o serviço de inteligência do governo britânico. Diferentemente do MI6 (ou “Seis”), que envia seus agentes ao exterior, e é mais conhecida por causa de seu mais ilustre agente — James Bond – o MI5 enfrenta na maioria das vezes ameaças domésticas, mas não menos perigosas, em especial nos tempos atuais, com o terrorismo ultrapassando fronteiras ou com o crime organizado cada vez mais atuante. Porém, ao contrário do que se vê em produções “made in USA”, não há cenas mirabolantes de perseguição, lutas e trocas de tiros e tudo é feito com discrição, sem que o cidadão comum se dê conta do ocorrido. O ritmo da série pode causar estranheza no início, em especial para quem está acostumado com as séries dos EUA, mas vale conferir, ao menos para se conhecer outras formas de se produzir programas de TV.

Por coincidência peguei um dos episódios na metade quando zapeava pelos canais. Até então nem imaginava que o People & Arts estava exibindo a série — a divulgação do canal à época era péssima. O episódio em questão era o segundo, aquele que até hoje é comentado pelos fãs e que causou um certo rebuliço na época por mostrar a morte violenta de um dos personagens principais. A partir daquela cena já pude perceber que estava diante de uma série diferente, pois certamente não veria tal cena em uma série americana. Mais tarde, quando soube que o People & Arts exibia a versão editada dos episódios (com 45 minutos ao invés dos 60 habituais das produções da BBC) resolvi ir atrás dos DVDs, e não me arrependi. Tive a chance de rever a 1ª e 2ª temporadas e depois passei a acompanhar a série via download, mas não satisfeita comprava os DVDs e revia tudo.

O formato da série foi alterado na 6ª temporada. Até então a série trazia episódios com tramas fechadas e esta fórmula já dava sinais de desgaste. A partir desta temporada a trama passou a se estender ao longo dos 10 episódios, com algumas tramas paralelas. Esse novo formato agradou e acabou tornando-se definitivo.

Em 7 temporadas vários agentes passaram pela Thames House, alguns deles morreram cumprindo seu dever, outros tiveram que desaparecer ou caíram em desgraça. Esse entra e sai de personagens deixa bem claro que o enfoque é na trama, mas o público sempre acaba se apegando mais a alguém. Os roteiristas, no entanto, sempre procuraram introduzir novos personagens e aos poucos eles vão ganhando o seu lugar e conquistando até mesmo os mais reticentes, salvo raras exceções. Um dos poucos a permanecer firme e forte desde o início é o chefe da Seção D, Harry Pearce que, para muitos é o coração da série.  Sem ele creio que Spooks perderia boa parte daquilo que a torna uma das melhores produções de fora dos EUA atualmente no ar. E em especial no Reino Unido, onde reality shows roubam cada vez mais espaço nas grades de programação locais, sem dúvida é um alento.

Atenção: contém spoilers

A temporada de estréia só teve 6 episódios e serviu mais para apresentar os agentes do MI5 e seu trabalho no combate das ameaças à segurança nacional, tais como ativistas anti-aborto, nacionalistas de extrema direita ou até mesmo ex-agentes que se voltaram contra seus superiores. E, de cara, somos apresentados a Tom Quinn, o líder da equipe de campo da Seção D, que tenta conciliar seu trabalho no serviço secreto com a vida pessoal.

 A série causou furor ao mostrar que qualquer um pode morrer — o que dá a ela um senso de realismo que não se vê em muitos programas. Afinal, o serviço secreto é um trabalho perigoso e a qualquer momento alguém poderia ser descoberto e eliminado. E logo no segundo episódio, em que a equipe tenta se infiltrar em um grupo nacionalista, o paranóico líder mata uma das agentes na frente de Tom, que é obrigado a assistir a tudo sem revelar nada — o dever vem em primeiro lugar, por mais chocante que possa parecer. Porém, logo vemos que ele não é tão frio quanto aparenta. A cena da morte da agente foi tão violenta — apesar de boa parte ter sido mais sugerida do que mostrada — que a BBC recebeu várias reclamações na época.

 Esta temporada contou com a participação de atores como Hugh Laurie, no papel de um superior de Harry (tão chato quanto o médico que o tornaria famoso anos mais tarde) e Anthony Head (o Giles de Buffy, a Caça-Vampiros), como um agente que virou a casaca e que se recusa a abrir mão de seus ideais, preferindo morrer a entregar seus companheiros. Outros atores conhecidos também marcariam sua presença na série nas temporadas seguintes, como Alexander Siddig (A Cruzada), Ian McDiarmid (Star Wars), Andy Serkis (O Senhor dos Anéis) e Lindsay Duncan (Roma).

 Outra característica da série são os ganchos de final de temporada, e o desta em particular conseguiu deixar o público de boca aberta diante da TV: Tom Quinn leva para a casa um laptop pertencente a um grupo terrorista. Para seu horror, ele é avisado pelo líder do grupo em que ele se infiltrara que o laptop continha explosivos. Ao correr para casa, que havia sido transformada em um mini-bunker para a proteção da namorada e da filha dela, Tom descobre que as duas ficaram trancadas lá dentro por conta de um problema na fechadura eletrônica. Impotente, ele fica diante da janela e assiste ao cronômetro da bomba zerar e… o episódio termina!

Atenção: contém spoilers

A 2ª temporada retoma a trama exatamente onde parou, com Tom trancado do lado de fora da casa, enquanto sua namorada e filha olham para o contador do relógio que está no laptop carregado de explosivos. O contador zera e segue-se uma explosão, mas a câmera revela que tudo não passou de uma farsa (!). Uma bomba explodiu, mas em outro lugar e matou um integrante do governo da Irlanda do Norte.  A “bomba” no laptop era só uma distração. As equipes de resgate finalmente conseguem abrir a porta e retiram a namorada de Tom e a criança da casa, mas Tom mal tem tempo de ficar com elas, pois é convocado para investigar o atentado. Apesar de ter feito o possível para conciliar trabalho e vida pessoal, Tom não consegue impedir que as pessoas com quem se importa fiquem longe do perigo.

E, como já fora mostrado antes, finais felizes não são regra: muitas vezes um imprevisto coloca tudo a perder, como no episódio centrado em um grupo de fundamentalistas que recruta jovens para se tornarem “mártires”. Quando um ex-agente árabe parece estar convencendo o garoto a desistir no instante segunte a bomba é detonada, para o horror de Tom.

Mais tarde Tom acaba se envolvendo com o contato da CIA no Reino Unido, Christine. O relacionamento de ambos é escondido de seus respectivos superiores, pois envolve um sério conflito de interesses.  Seu envolvimento com Tom acaba colocando Christine na mira de Oliver Mace quando este promove uma devassa no MI5 depois que Tom desaparece.

Um dos pontos altos da temporada é o episódio em que os agentes se vêem presos dentro do Grid e levados a crer que o exercício de rotina não é exercício coisa nenhuma e que a cidade do lado de fora foi de fato devastada. As reações de cada um ao confinamento bem como a crescente tensão são retratados de forma realista e angustiante, levando todos ao limite.

A temporada se encerra com Tom sendo incriminado pela morte de um membro do alto escalão do governo. O homem responsável por isso é um ex-agente da CIA, cuja filha fora recrutada por Tom e acabou sendo capturada durante a missão, sendo vítima das piores torturas e abusos. Herman Joyce culpa Tom pelo fato de a filha estar internada em estado catatônico em um hospital psiquiátrico e armou para ele, colocando todos, inclusive seus colegas, em seu encalço.

Encurralado, Tom acaba disparando contra Harry e foge em direção ao mar, desaparecendo no meio das ondas.

Atenção: contém spoilers

Após atirar em Harry Pearce, Tom Quinn desaparece sem deixar vestigios e é dado como morto. Seus colegas, entretanto, relutam em aceitar que ele tenha perdido a razão e investigam por conta própria a cadeia de eventos que o levaram a apelar para medidas tão desesperadas. Alguns setores do governo que não vêem um serviço secreto independente com bons olhos aproveitam a chance para promover uma devassa na agência, convocando Oliver Mace, do MI6, para a tarefa. Harry recruta Adam Carter — do mesmo MI6 — para auxiliá-lo nesta crise. Tom consegue limpar o seu nome e acertar as contas com o responsável por incriminá-lo. Entretanto, fica claro que ele não consegue mais fazer “o que for necessário e a qualquer preço” e sua recusa em cumprir ordens durante uma missão acaba forçando Harry a demiti-lo.

A terceira temporada dividiu os fãs, talvez por ela marcar uma transição, com a saída de seus três protagonistas. A exemplo de “procedural dramas” como Lei & Ordem, pode-se dizerque Spooks também se caracteriza por uma alta rotatividade de personagens, mas creio que nunca uma série abriu mão de todos seus protagonistas em uma única temporada. 

Aos roteiristas coube a tarefa ingrata de tirar de cena personagens que já tinham uma certa ligação com o público ao mesmo tempo em que apresentavam novos rostos. Por outro lado, a saída de Tom, Zoe e Danny acabou dando a outros personagens a chance de crescer, como foi o caso de Ruth e a dupla de geeks Colin e Malcolm.

E enquanto os episódios que marcaram a saída de Tom conseguiram dosar bem ação e suspense, os seguintes falharam em manter o mesmo nível, salvo alguns cujas temáticas causaram certa polêmica, em especial aquele em que Adam recorre à tortura para arrancar informações de um suspeito ou quando Danny luta com sua consciência ao ser enviado em uma missão de assassinato, na qual analisa se é justificável matar em nome do “bem maior”.

Zoe cai em desgraça quando uma missão em que trabalhava disfarçada acaba resultando na morte de um policial. Ela é acusada de ter incitado um dos traficantes de arma a matar outro e o policial que estava junto com ele acaba sendo baleado. O julgamento termina com sua condenação e para todos os efeitos ela cumprirá pena, mas Harry providencia para que ela fuja para o Chile — mas ela jamais poderá voltar ao Reino Unido. Mais tarde Danny acaba revelando seu paradeiro ao namorado dela, que acaba viajando para juntar-se a ela.

E a saída de Danny da série se dá no último episódio, quando ele e Fiona são seqüestrados por um grupo que exige a retirada das tropas aliadas do Iraque. Danny acaba morrendo no lugar de Fiona, atraindo para si a atenção do seqüestrador.

Atenção: contém spoilers

Esta temporada se inicia com um episódio duplo, mostrando uma explosão no centro de Londres, com claras referências ao atentado de julho de 2005. Esta forte ligação com o mundo real quase levou a BBC a não exibir os episódios. Felizmente eles voltaram atrás — mas colocaram um aviso no início da transmissão para alertar sobre o conteúdo das imagens que seriam exibidas. Nas três primeiras temporadas as missões do MI5 eram em sua maioria conduzidas anonimamente, sem que o público em geral tomasse conhecimento, retratando eventos que poderiam muito bem acontecer na vida real. Entretanto, desta vez, os roteiristas optaram por mostrar uma bomba sendo detonada e, ao invés de mostrar os agentes correndo contra o tempo para evitar a catástrofe, eles os jogam no meio de uma. A abordagem me pareceu interessante, mas o desfecho não me agradou. A descoberta dos responsáveis pelo atentado e a motivação dos mesmos me soou forçada. Se por um lado colocar a Al-Qaeda como responsável seria pouco original, criar grupos terroristas que defendem bandeiras esdrúxulas me pareceu ainda pior.

É a partir desta temporada que se notam algumas mudanças — que desagradaram alguns fãs, tais como o uso ostensivo de armas de fogo e a discrição sendo cada vez mais colocada de lado em nome de cenas de ação e tiroteios. Adam Carter estava ficando cada vez mais parecido com uma versão britânica de Jack Bauer.

Zaf aos poucos vai ganhando seu lugar, preenchendo o vazio deixado por Danny.

A introdução de Jo Portman, uma repórter que por um acaso cruza o caminho de Adam, acaba forçando um pouco demais a barra. Imagino que o recrutamento de agentes para o MI5 siga critérios um pouco mais rigorosos e não creio que seja abordando civis nas ruas. Mas, enfim, a entrada em cena de Jo só serviu para preparar o terreno para a saída de outro personagem, como já virou costume na série.

Fiona é morta pelo ex-marido, um poderoso homem de negócios com ligações obscuras com terroristas em Damasco. Ela foi reconhecida durante uma missão em que atuou disfarçada na embaixada da Síria em Londres. A sua morte ainda terá reflexos nas temporadas seguintes.

A temporada se encerra com um episódio que é um prato cheio para quem gosta de uma teoria da conspiração. Uma ex-agente retorna ao Grid e ameaça explodir o prédio caso o MI5 não reconheça o seu papel na morte de Diana — sim, a ex-princesa de Gales. A equipe é forçada a juntar informações e conjurar teorias que corroborem a versão de que a Princesa do Povo foi assassinada. A ação se passa em grande parte no interior da Thames House, com ênfase nos diálogos e consegue criar um clima de tensão e claustrofobia comparáveis ao excelente episódio da 2ª temporada que mostrou os agentes confinados no Grid e pensando que Londres foi devastada por um ataque de armas químicas, sem poder comprovar se o ataque aconteceu ou não, levando a tensão a níveis insuportáveis.

Atenção: contém spoilers

Um dos pontos que sempre me agradou na série é a preocupação em mostrar que, apesar de seus personagens serem obviamente fictícios, suas missões geralmente não exigiam muito de nossa suspensão de descrença. Entretanto nesta temporada, em especial nos dois episódios de abertura, os roteristas optaram por sacrificar o realismo e apelaram para um cenário quase apocalíptico, no qual Adam Carter, recém-recuperado de seus ferimentos sofridos no final da temporada passada, é introduzido. Enquanto o MI-5 se vê no meio do caos criado por uma misteriosa organização que almeja tomar o poder pela força, Adam continua a ter problemas para lidar com a morte de Fiona. Percebe-se logo que ele está se tornando um risco não só para si mesmo como para seus colegas. O que poderia render um bom arco de histórias acaba soando repetitivo, pois a série já tinha feito algo semelhante ao mostrar a queda de Tom Quinn.

O arco inicial de episódios só serviu mesmo para introduzir Ros Myers. Embora a forma como ela veio a fazer parte do time pareça ainda mais improvável que a conspiração orquestrada pelo seu pai e membros do alto escalão do governo, a personagem demostrou que tem potencial, o que acabou se confirmando nas temporadas seguintes. Infelizmente este início de temporada teve uma baixa: Colin, o expert em computadores. Outra vítima desta cadeia de eventos foi Juliet, ferida em uma explosão de um carro-bomba e perdendo o movimento das pernas.

Esta temporada também marcou a despedida de outro personagem bastante popular: Ruth é acusada injustamente de assassinar um membro do governo e Harry e os demais acabam forjando sua morte para permitir que ela escape, em uma resolução similar à dada para a saída de Zoe.

Alguns episódios, porém, mostram que a fórmula “ameaça terrorista da semana” dava sinais de desgaste. O episodio duplo em que Ros se vê no interior de uma embaixada que é invadida por terroristas lembra um episódio da 1ª temporada, embora o desfecho deste traga uma reviravolta interessante, fugindo ao velho clichê do terrorismo islâmico e mostre que os roteiristas não se importam em mostrar o temido Mossad (serviço secreto israelense) levando um baile do MI5. Em outro vemos um cenário um tanto inusitado, colocando os islâmicos como vítimas de extremistas cristãos. Entretanto o episódio só serve de pano de fundo para o iminente colapso nervoso de Adam que, felizmente — para ele e os demais — não acontece de fato.

Atenção: contém spoilers

Nesta temporada o arco de histórias girou em torno do programa nuclear do Irã e marcou a despedida de outro personagem principal, embora seu destino final só tenha sido revelado de fato muito depois. Connie James se junta à equipe, mas ainda levará um tempo para que o público se acostume com ela — e sinta menos a ausência de Ruth. Outro novo integrante no Grid é Ben Kaplan, um jornalista como Jo, que acaba virando agente à contragosto, depois de obter informações ultrasecretas enquanto trabalhava em uma matéria.

Mais uma vez elementos reais são introduzidos na trama — o programa nuclear iraniano e as tensões geradas pela recusa do presidente do país em deixar que observadores da ONU inspecionem suas instalações. A série aborda a preocupação dos governos britânico e norte-americano, bem como a pressão dos israelenses, que vêem a ascensão do Irã como possível potência nuclear como uma ameaça a ser contida a qualquer preço.

Adam se envolve que a esposa de um diplomata iraniano e a torna informante do MI5. No entanto a situação sai do controle e Ros é obrigada a intervir. A cena em que ela aparentemente mata a outra mulher a sangue frio foi muito bem executada, levando o público, e Adam, a crer que ela foi morta. Apesar de merecer, a mulher não paga com  a vida por tentar assassinar Adam, e é mantida confinada enquanto os demais tentam arrancar informações do diplomata.

Enquanto isso pistas sobre o paradeiro de Zaf vão aparecendo, mas nenhuma delas é muito animadora e só faz com que Ros tema pelo pior.

Os episódios finais, centrados na misteriosa orgazinação Yalta,  marcam o retorno de uma personagem que estava sumida, mas de uma forma completamente inesperada e chocante.

Após ser recrutada pela Yalta e se ver acusada de traição, Ros é obrigada a forjar a própria morte para escapar da CIA, mas logo depois fica comprovado que o agente que queria sua prisão era corrupto.

E mais para o final descobrimos o destino de Zaf, que, depois de ter sido seqüestrado por um grupo de terroristas que tentou liberar um agente biológico em Londres, foi entregue a outro um grupo de mercenários que seqüestram agentes para extrair informações mediante tortura.

Adam e Jo são capturados pelo mesmo grupo e torturados. Em desespero, ela pede a Adam que a mate para que eles não abusem dela novamente. O episódio termina com Jo aparentemente morta nos braços dele.

Atenção: contém spoilers

Uma temporada mais curta — apenas 8 episódios ao invés dos 10 com os quais já tinha me acostumado — porém a trama principal explorou bem a rivalidade entre a Rússia e o Reino Unido, bem como a queda de braço entre seus serviços de inteligência.  Gostei bastante do enfoque na espionagem clássica, remetendo aos tempos da Guerra Fria.

Felizmente a série não se rendeu ao apelo fácil de cenas espalhafatosas, tiroteios e lutas de artes marciais, ainda que, desde a entrada de Adam na 3ª temporada, ficaram mais comuns cenas em que os agentes sacam pistolas ou partem para o corpo a corpo. Os produtores da série estariam de olho no mercado norte-americano? Talvez. Mas a série não tem uma divulgação tão grande nos EUA, fora o fato de que os ianques não são lá muito bem retratados, em especial os contatos da CIA. Harry é um dos que não perdem a chance de dar suas alfinetadas em seus amigos do outro lado do Atlântico.

Algo que ficou bastante comum nas temporadas mais recentes são alguns apetrechos que mais lembram filmes de James Bond, mas nada que comprometa demais o realismo.

Ao contrário do que costumamos ver no cinema e em séries do EUA quando o assunto é serviço secreto, os agentes do MI5 conseguem se manter discretos e até mesmo uma cena dramática como a que Adam dirige um carro bomba prestes a ser detonado passa despercebida dos transeuntes e motoristas.

E outra característica da série de que sempre gostei também se fez presente nesta temporada: as referências aos fatos recentes. Um dos episódios pegou carona na crise financeira global — embora tenha sido filmado muito antes do colapso dos mercados, o timing foi perfeito. E em outro há uma menção ao futuro ocupante da Casa Branca. E nos episódios finais o escudo anti-mísseis, que vem causando tensões no Leste Europeu ao alinhar as ex-repúblicas soviéticas aos EUA também é mencionado. Algumas das ameaças soaram um tanto improváveis, mas Spooks tem o seu pé da ficção e, portanto, nada que comprometa.

E mais uma vez o MI5 sofreu grandes baixas. A equipe perdeu seu líder de campo e dois agentes. E, ainda, o chefe da seção está desaparecido, capturado pelos russos.

A série foi renovada e especula-se que o próximo ano possa ser o último, mas no caso de uma série que não se apóia exclusivamente em personagens e sim no formato, nunca se sabe.

Episódio 7×08

26/12/2008

No episódio que encerra a temporada o MI5 se vê frente a uma ameaça nuclear e Ros e sua equipe correm para evitar o pior, ao mesmo tempo em que se vêem na mira de assassinos a serviço do serviço secreto russo.

A equipe é obrigada a recorrer a Connie para obter informações. Ao saber dos planos de seus ex-patrões, ela pede para ser enviada para fora do país como parte do acordo. Para o horror de Harry e os demais, Connie revela que os russos pretendem detonar uma maleta com uma mini-bomba nuclear em Londres. O responsável pela detonação da bomba é um das centenas de agentes adormecidos que estão em solo britânico, apenas aguardando a ordem para agir.

Enquanto Ros, Lucas e Connie tentam despistar os russos, Harry vai ao encontro de Viktor, o agente que comanda a equipe da FSB em Londres e logo descobre que nem eles sabiam dos planos de seus compatriotas. Uma trégua é firmada a fim de localizar a bomba — programada para explodir em frente ao Consulado dos EUA (em uma clara alusão à tensão causada no leste europeu pelos planos de implantação de um escudo antimísseis utilizando países da região e no quanto isso irritou o governo russo — essa ligação com os eventos atuais é que torna a série ainda mais interessante e realista).

Connie tem uma chance de redenção no final e a aproveita, desarmando o dispositivo nuclear, mas prefere colocar fim à própria vida a encarar o julgamento e a prisão pela morte de Ben e por sua traição ou, pior, ser entregue aos russos. É uma pena perder uma personagem tão interessante, cuja interação com Harry me fazia lembrar dos bons tempos quando Ruth ainda estava na Thames House.

Apesar de a ameaça ter sido contida, a trégua é rapidamente quebrada: a última cena mostra Harry amarrado e amordaçado, a caminho da Rússia… espero que não seja a última vez que o vimos.

Será uma longa espera até o ano que vem.

Texto publicado originalmente no Teleséries.

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